Madre Alphonsa Kuborn é a Fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas de São José. Seu nome de Batismo é Elisabeth. Nasceu a 10 de março de 1830, em Mertert, Mosela, no Grão Ducado de Luxemburgo. Era a 9a. filha do casal Johann Kuborn e Elisabeth Engling. Quatro dos doze filhos da família morreram no ano de seu nascimento.
Elisabeth era de grande amabilidade e possuía um coração nobre e generoso. Era dada às obras de caridade, ao estudo e vida interior, destacando-se de suas colegas da mesma idade.
Os pais a confiaram, desde os 12 anos, às Irmãs de Notre Dame do Pensionato Sainte Sophie de Luxemburgo. Ali permaneceu até os 20 anos e completou seus estudos.
Ela devia seguir a carreira de professora, no entanto sentia-se atraída para o cuidado dos pobres e desvalidos, a exemplo de sua padroeira Santa Isabel da Hungria.
Existe uma suposição de que tenha sido postulante das Irmãs de Notre Dame. Esta hipótese baseia-se no fato de ter escrito suas primeiras orações em 1852 na língua francesa, idioma do pensionato. Infelizmente o Convento das Irmãs sofreu um incêndio que destruiu toda sua documentação impossibilitando a confirmação. O que sabemos é que no dia 18.06.1853 Elisabeth disse adeus a seus pais e parentes e ingressou no Convento das Elisabetinas em Pfaffenthal. No dia 06.12.1855 ela recebeu o hábito religioso e passou a chamar-se Irmã Alphonsa. Fez dois anos de Noviciado e no dia 01.01.1858 teve a felicidade de fazer sua Profissão Religiosa.
Nos 12 anos em que Irmã Alphonsa pertenceu à Congregação das Elisabetinas, por 7 cuidou dos doentes do Hospital e Hospício de Ettelbruck- Luxemburgo e no Hospital Estadual de Arlon – Bélgica. Esta região, em 1866, foi assolada pela colera morbus. A epidemia atingiu sobretudo a localidade de Messancy. As autoridades civis e eclesiásticas pediram ajuda às Irmãs de Arlon e Ir. Alphonsa foi enviada para atender os doentes. Sua mão caridosa, extensão de seu coração cheio de misericórdia, estava presente em toda parte. Ao deixar Messancy recebeu do Prefeito da Cidade uma medalha com a inscrição: À la Révérende Soeur Alphonse, les habitants reconnaissants de Messancy.
Neste período da sua vida, Irmã Alphonsa escreveu grande parte dos textos publicados neste livro. São anos decisivos, selados por um grande amor e dedicação ao Divino Esposo.
Quando em 1867, a pedido do decano Jakob Becker, ela foi procurada por seu Irmão Padre Mathias Kuborn, diretor espiritual do Seminário Diocesano de Trier na Alemanha, para ser a orientadora das cinco Senhoras que viviam em Comunidade em Schweich, era uma religiosa provada e madura. Sua resposta foi: “Só aceitarei, se, neste pedido, reconhecer a vontade de Deus por meio de meus Superiores: Madre Anna e o Bispo Diocesano Nikolaus Adames.”
No dia 05.10.1867 Irmã Alphonsa deixou o Convento de Pfaffenthal. Madre Anna a abraçou carinhosamente e lhe disse: “Vá, em nome de Deus e, se não for bem sucedida na sua tarefa, volte”. Ela acompanhou a caminhada da Irmã Alphonsa com interesse e solicitude.
Em seguida, Irmã Alphonsa fez uma visita aos seus pais e familiares e dia 08 de outubro viajou de trem para Schweich, passando por Trier, e na chegada foi recebida pelas suas novas companheiras.
No dia 28 de outubro de 1867 as cinco primeiras Irmãs receberam a veste religiosa e este é considerado o dia da Fundação da Nova Congregação. Seu Convento é a casa que pertencia à viúva Blassius Wagner, que logo se tornou pequena para a missão da jovem Congregação.
A então Fundadora sentiu necessidade de um espaço adequado para a vida e trabalho das Irmãs. Com sua coragem destemida e a ajuda de sua família, iniciou a construção de um Convento-Hospital inaugurado no dia 28.08.1868.
No dia 03.11.1869 a nova Congregação tem sua Constituição aprovada pelo Bispo de Trier, Matthias Eberhard, e Irmã Alphonsa tem a tarefa de formar as jovens que vão chegando. É deste período as três orações: ao Sagrado Coração de Jesus; ao Sagrado Coração de Maria e a São José, que constam neste livro, pedindo a graça de bem fazer sua tarefa de FORMADORA.
No dia 02.03.1871 o Convento de Professas, elegeu a Irmã Alphonsa como Superiora e a Irmã Francisca Schue como Assistente. Foi provavelmente após esta eleição que Irmã Alphonsa recebeu o título de Madre.
Impasses da guerra franco-alemã e outras vicissitudes trouxeram muitas dificuldades e dissabores. Mas o amor misericordioso não conhecia distinção entre alemães e franceses. Para a Madre, todas as pessoas eram dignas de compaixão e misericórdia.
Logo depois dessa guerra, começa o chamado Kulturkampf. O Estado passou a fazer rigorosa fiscalização nos conventos. Depois, foi proibida qualquer reunião e, por fim, a admissão de novos membros aos institutos religiosos. Por sugestão do Bispo de Trier, Matthias Eberhard, a jovem Congregação deixou a Alemanha e buscou asilo no vizinho país, a Holanda.
No dia 02.11.1875 Madre Alphonsa e Irmãs deixam Schweich com destino a Beek-Holanda. Ficou para trás o Hospital-Convento recém construído para começar tudo de novo. É dela uma frase que se aplica bem a esta situação: “Somente pela Cruz e sofrimento crescem as obras de Deus”. Pela Cruz e pelo Amor. As dificuldades foram grandes, mas sua nova pátria, a Holanda, acolheu as Irmãs e ali encontraram pessoas amigas e generosas. O amor tudo conquista e tudo faz. Neste país a Congregação se firmou e cresceu.
Da Holanda retornaram Irmãs para a Alemanha somente no dia 01.09.1921 para Elsen-Grevenbroich. Foi também da Holanda que vieram as primeiras Irmãs para o Brasil em 1926.
Uma frase define sua vida: Não há descanso para Madre Alphonsa, enquanto o último necessitado não tiver encontrado seu cantinho.
Madre Alphonsa faleceu em 06 de setembro de 1897 em Valkenburg, na Holanda. Seus restos mortais repousam no cemitério da Casa-Mãe nesta mesma cidade.
O seu primeiro primeiro biógrafo, Padre Weber, OIM, assim escreveu ao falar da sua morte: “Como o sol no seu poente, antes de desaparecer, transforma num suave brilho de arrebol, assim parecia a Madre, ao entardecer da vida de amor e zelo inflamada, sempre atenta a proporcionar alegrias e surpresas às Irmãs”.
Na Constituição que deixou para a Congregação escreveu: “O amor, forte como a morte torna doces os serviços mais amargos e capacita para a doação gratuita de si mesma”. Após sua morte dizia-se: “Ela era a alma da Fundação.”
Datas importantes da vida de Madre Alphonsa, escritas por ela mesma:
1853 – 18.06 – Entrada no Convento das Elisabetinas em Pfaffenthal
1855 – 06.12 – Vestição
1856 – 19.03 – Fui trabalhar no Seminário Diocesano de Luxemburgo
1858 – 01.01 – Emissão dos Votos
– 29.05 – Fui enviada para Ettelbruck para cuidar da Madre Anna que está doente.
– Em setembro retorno para Pfaffenthal
– 05.10 – Volto em definitivo para Ettelbruck
1865 – 19.01 – Retorno para Pfaffenthal
– 07.08 – Fui enviada para Arlon
1866 – Os 4 meses de verão em Messancy, cuidando dos atingidos pela
colera morbus.
1867 – 15.06 – Fui de Arlon para Pfaffenthal
– 01.08 – Morte de minha querida e boa mãe
– 05.10 – Viagem de Luxemburgo a Schweich
– 08.10 – Chegada em Schweich
– 28.10 – Vestição em Schweich das cinco primeiras Irmãs na Igreja Paroquial
– 01.12 – entrada na casa alugada de Frau Gattermann
1868 – 22.08 – Entrada no Novo Convento – Hospital
1871 – 28.02 – Primeira Profissão de oito Irmãs na Capela do Convento
– 01.06 – Primeira eleição da Superiora confirmada pelo Bispo
1872 – 19.03 – Profissão de três Irmãs
1874 – 24.07 – Confirmação do Bispo da 2ª. eleição como Superiora
1875 – 25.10 (Anjo Rafael) ida com as três primeiras Irmãs para Beek – Limburg – Holanda
– 27.11 – Chegada das duas últimas Irmãs a Beek
1881 – 25.01 – O Pe. Perthuisot veio como Sacerdote residente na casa.
1882 – 02.06 – A segunda fundação em Valkenburg
1883 – Terceira vez eleita Superiora – em Beek
1892 – 19.08 – 4ª. eleição como Superiora e da Ir. Theresia como Assistente e Conselheiras: Irmã Aloysia, Irmã Paula, Irmã Antonia
TESTAMENTO DA MADRE:
“NO CÉU REZAREI PR MINHA FILHAS QUE QUE SEJAM FIÉIS ÀS SUAS OBRIGAÇÕES. HEI DE IMPLORAR PARA ELAS O ABANDONO À VONTADE DE DEUS E A GRAÇA DE CARREGAREM SEMPRE, COM PACIÊNCIA, A SUA CRUZ.”

